domingo, 19 de dezembro de 2010

Do fracasso (eu reconheço que falhei)

E então... eu fracassei.
Foi difícil admitir isso
Talvez tenha sido essa demora a responsável
Pelo estágio em que minha vida se encontra
O cargo que ocupo nada mais é do que reflexo
Da aluna que eu sempre fui, que eu sou
Alguém que se passa pelo melhor, que finge
Cuja a máscara cai de repente e não aceita
Pois fingiu tão bem que enganou a si próprio
Causou decepção nos outros
E mentiu até o último segundo
Pra justificar pra você mesma o seu fracasso
Em um ano, o que eles aprenderam comigo?
Nada.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Um dia quase de verão

E então, choveu.
O calor que eu sentia passou,
Com a chuva que caiu dentro de mim,
Não com a que caiu na rua, nas praças.
E o meu coração mais uma vez é,
Algo que muda com frequência.
Não com relação ao que sinto,
Talvez com relação a como eu sinto,
Com certeza com o que fazem eu sentir.
O que querem que eu sinta?
Junto com a dor que me afasta de mim,
Dos outros, das verdades,
As mentiras que contei ontem, hoje, amanhã,
E as outras farsas.
Fico andando, sem rumo, pela casa,
Pensando nos livros e nas letras de Chico Buarque.
Eu vejo que já não sou tão intelectual assim,
Vejo que nunca fui tão intelectual assim,
Percebo que a minha intelectualidade era outra farsa,
E me calo. Antes que descubra todas as outras.
Enigmático.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mas o mundo vai acabar!

Eu tô me sentindo tão desvalorizada.
Tão inútil, tão mal vista, tão perdida.
Eu vou me perder na mistura do ódio e da felicidade,.
Não consigo sonhar com mais nada que não seja você.
E assim, todos os dias eu oscilo entre inferno e céu,
Quando vivo sua vida e me esqueço do mundo.
E quando o mundo tira de mim a minha vida,
Me leva pra longe de você.
Volto pro meu nada, pra terra daqueles que nada tem.
E penso em você, e quero você.
Quando você descobre que nada mais existe.
Como se nada mais existisse, nada existe além de você,
E eu choro como se o mundo fosse acabar agora e eu não pudesse mais te ver.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Íntimo

Estar ao seu lado é estar completa,
Ter um incontestável sorriso na boca,
Que pede a sua, que pede seus beijos.
Porque estar com você é estar satisfeita,
Mesmo que o programa seja assistir TV,
Ainda que andemos no sol, sem direção.
Você basta. Você é tudo.
Imagino retratos antigos, nós dois,
Os anos passando lentamente.
Cada fato, cada festa, nossas lembranças,
Tatuadas em minha memória,
Deixando de ser sonho com cara de ilusão.
Promessas cumpridas, completas.
Nossa trajetória, nossas vidas, nossa casa.
Vejo em cada detalhe, em cada espaço,
Pedaços da nossa história escritos num livro.
Os nomes dos nossos filhos, seus rostos,
Lapidados pelo amor mais intenso, mais constante.
Eu te amo.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Monstros

Há em mim uma coisa estranha,
Monstros que eu alimento dentro do meu coração,
Medos que eu, nessa idade, não deveria ter.

Nós estamos o tempo todo preocupados com coisas que não importam,
E o que poderia nos tocar profundamente acaba sendo esquecido,
Diante de medos, perante monstros que simplesmente não existem,
Ficamos inertes, perdemos tempo, nos afastamos da vida,
E nos tornamos cada vez mais mecânicos, automáticos.
Nos isolamos mais, nos perdemos mais, nos tornamos vazios,
Cada um de nós e seu objetivo único de se proteger.

(Grande trecho retirado pela autora)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

(Triste) Espera

É tão estranho não ter você ao meu lado
Passar o dia todo esperando essa hora
A bendita hora que não chega, que não vem
Ter que dormir sem o seu cheiro estar escondido
Em algum centímetro da minha pele
Impresso na minha alma, depois de um abraço
Não te ver, não te tocar por mais um dia
Fica aquela impressão de que ainda não amanheceu
E hoje é um dia que não chega, não aconteceu
Te procurar nos vazios, nos espaços em branco
Nas sombras e nas luzes, no brilho do sol, da lua, das estrelas
Caminhar sozinha pelas ruas com o destino de não te encontrar
E não te ver e não te tocar
Só aquele calafrio me acompanha quando encontro
Na memória o teu sorriso, a tua voz e tua risada
Teu jeito de me tocar, de falar e de existir
As palavras que você usa pra me enlouquecer
O olhar que dispensa o uso de palavras
O cheiro da pele, o hálito, a sua respiração
Eu sinto falta de cada parte de você
Eu sinto medo de um dia ter que voltar a viver sem você
Ver definhar lentamente cada fibra do meu coração.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Força (?)

Eu tive vontade de chorar mas, segurei firme.
Enquanto pude, contive a lágrima.
Mas ela é traiçoeira, como tudo em mim.
Fugiu do meu coração e transbordou em meus olhos.
Só não deixei que ela corresse em minha face,
Porque assim molharia o meu brio,
Feriria, como que à faca, o meu orgulho.
E este é o último pedaço de mim mesma que conservo.
A última memória de uma guerreira ferida, quiçá, morta.
Às vezes, creio não ter sobrado se quer o orgulho.
Da mulher prepotente e arrogante que eu fui, um dia.
De mim e da outra, tudo e nada.
Entram num conflito constante.
E com medo que assisto a tudo isso.
Essa pequena guerra dentro de mim.
Tudo ocorre em câmera lenta.
Vejo a que se diz "a outra" destroçando a que parecia ser a verdadeira.
Mas se eu disser que a verdadeira era uma farsante, talvez, possa tornar as duas uma só.
Ou, criar uma terceira.
São muitas vozes por trás do meu discurso.
E eu não gosto nada, nenhum um pouco, disso.
Alguém pode, por favor, retirar a caneta da minha mão para que eu pare de escrever?

Espelhos rachados

Quando me olho no espelho vejo alguém que não conheço.
Uma desconhecida, uma estranha, feia em vários ou todos os detalhes.
Ao me flagrar sozinha, ao vento, vejo cabelos bonitos.
Imagino em mim um sorriso algre, um rosto sereno.
Então, vem o espelho mostrar que minto, o tempo inteiro, minto.
Meu rosto marcado não nega, em cada cicatriz.
O monstro de dentro que destroi a morada por fora.
E eu aqui, mais uma vez, tentando me enganar.
Buscando encontrar uma estrela que não brilha mais.
Inventando talentos que nunca existiram.
Porque eu não me conformo de uma vez e aceito,
Tudo aquilo que não sou e nem serei?
É difícil se desvencilhar de algo quando você não sabe do que.
Quando você simplesmente não sabe...
Você olha pro nada, espera algo que não virá,
Se dá conta de que sua vida não existe.
E se pergunta, porque, em vão.
Tantos se matariam nessa hora má.
Mas eu? Eu não.
Eu fico aqui e espero ele voltar.
Mato mesmo o tempo. Coitado.
Quem diria eu acabar com um texto assim.

Filosofias

No nosso coração trazemos escondidas as coisas que, de fato, pensameos.
Será que algo que falamos sem pensar é algo que não está em nossos corações?
Há que se concordar que a verdade se opõe a isso.
Quando pensamos muito dizemos o que queremos e não aquilo no que acreditamos.
Manipulamos a ideia até que ela atenda aos nossos propósitos.
O nome disso é mentir.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Vício

Eu desejo você o tempo inteiro
Pensar em cada parte do seu corpo
Tocando o meu, pele na pele
Um arrepio que corre na veia
O desejo de ter você e ser sua
Agora e para sempre, até o fim
Preciso de você aqui comigo
Sinto meu corpo estremecer
Cresce em mim a necessidade
De me unir a você, por completo
Naquela união de corpos, entregues
Que um ao outro tocam, possuem
E buscam o inatingível e encontram
O inacreditável paraíso perdido
No outro, em abraços, em beijos, em pêlos
No roçar da boca na pele, no olhar
No amor que sentimos um pelo outro.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Missão

O que é esse desejo que rouba toda a minha atenção?
Que não me permite pensar em outra coisa senão você?
E todos os clichês, os velhos e os novos não podem,
Não são capazes nem, tampouco, suficientes,
Pra expressar o tamanho disso que eu sinto,
Ao lembrar que você simplesmente existe,
E que a qualquer momento você virá aqui,
Junto de mim, pra atiçar ainda mais meu desejo.
Vai falar ao meu ouvido e provocar um calafrio,
E pondo a mão no meu corpo vai me fazer estremecer.
E por mais que eu tente me controlar, disfarçando,
Você lê a inquietação do meu olhar e instiga mais,
Até que, fora de mim, eu deixe claro o que eu quero.
Sob o seu cinismo ao me perguntar: "O que foi que eu fiz?"
Você sabe, que na verdade eu não quero saber o que você fez,
Mas sim, o que você vai fazer comigo agora!
Você me leva a seguir seus passos até a cama,
Que é onde eu já não sou dona de mim.
E entrego a ti o que desde sempre te pertence:
Minha vida, meu corpo, meu coração,
Numa bandeja de prata, pulsando por você.
E sem nenhum arrependimento eu posso, enfim,
Morrer feliz, sem derramar lágrima alguma.
Pois sabendo que dei a ti, de mim, a melhor parte,
Teria cumprido, por fim, minha missão.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Confiança

Não posso dizer que não estou com medo.
Se as coisas forem como parecem, nossas vidas mudarão pra sempre.
Um elo forte nos unirá até o fim, sem volta.
E nós teremos toda uma sociedade pra enfrentar,
Hipócrita, rica em preconceitos, fechada.
Posso mesmo contar com você? Eu sei que sim, mesmo sem respostas.
Você é o único em que eu realmente confio.
Me diz que eu tô certa em confiar?
Que você vai me dar a mão e me levar pra nossa casa,
E qualquer dificuldade com o amor de Deus, eu sei,
É nada! E nós somos e seremos mais fortes,
Nossa família será mais forte porque nosso amor é.
Me abraça? Preciso do calor do teu corpo,
O calor que eu senti tantas vezes e que pode resultar nisso.
Me beija devagar, me protege como sempre, desde o início.
Preciso de você. Preciso de tudo em você.
Preciso do seu amor mais do que antes,
Preciso do teu carinho, da tua proteção,
Do teu braço forte a me indicar a direção.
É assim, em minha fragilidade,
Que eu serei, até o fim, a tua força e incentivo.
Seremos nós.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Dos desaforos levados pra casa

Eu sei, você não vai me ligar
Um pedido de desculpa seu é impossível
Mas é tão necessário, indispensável
Eu é que tenho que me acostumar
A engolir as lágrimas e suportar a dor
Esquecer a mágoa, esquecer...
Seguir em frente sem ouvir sua voz repetir
Os desaforos que eu nunca esperei ouvir
Mas ouvi. E ao ouvir, calei.
E quando falei que te amava, era tarde.
Você havia desligado. Indiferente.
Agora estou aqui, a voz entrecortada.
O coração dilacerado bate lentamente.
Bombeia um sangue envenenado pelo rancor
E pensar que dez minutos antes
Eu olhava uma foto tua e repetia pra mim mesma
O quanto eu te amo, o quanto eu preciso de você...
"Fixação! Seus olhos num retrato..."
Há somente um abismo entre nós
Você, via sentar e esperar a montanha andar
Eu, vou saltar pra encontrar você em algum lugar...
...mas eu só aceito você verdadeiro.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Delírios

Se perguntarem por mim digam que eu morri.
Se duvidarem ser verdade digam que é nisso que eu acredito.
Já vivi o suficiente pra saber como me sinto, pra onde o barco vai e como as coisas terminam quando entram num dado caminho.
Eu sei o suficiente pra crer que isso é o bastante.
Quando você fala e ninguém te ouve é porque não há mais nada.
Quando você chora sozinha, quando não há mais vozes ecoando, risadas.
E tudo se torna uma questão de protocolo. Estaremos juntos, eu sei.
Mas o que nos une? Já não se sabe... Ninguém o sabe.
Tampouco eu e você, outrora nós.
Eu perdi o sono de vez e só o encontrarei na hora de acordar.
Sem motivos para tanto, sei que irei fazê-lo.
Afinal, a máquina não pode parar, jamais.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Um crime!?

Afinal, quem sou eu?
Um emaranhado de perguntas sem respostas
Um clichê a mais ou a menos solto ao vento.
A mentira que você quis contar, eu contei.
A mentira que você quer ouvir, sou eu mesma.
Uma farsa deliciosamente implicante.
Um vício irritantemente repugnante.
De que lado você está?
Do meu ou dos outros?
Eu sou sua farsa descarada e desmedida.
Eu vou atormentar a sua vida até você pedir pra descer.
Nas ruas você passa por uma menina estranha.
Sensualmente antissocial e antipática.
Sou eu usando uma das minhas máscaras.
Aqueles cabelos cacheados ao vento são meus.
O perfume marcante, a voz rouca e grave.
Tudo isso me pertence e eu uso bem.
Pra te envolver em mil enredos nos quais eu me perco.
E me encontro perdida até que alguém surja e...
...faça eu me sentir ainda mais perdida.
Eu não vou pedir desculpas mais de uma vez.
E se eu pedir, pode ter certeza, faz parte do meu show.
Preciso convencer o mundo a ter pena de mim.
E eu não serei mais a principal suspeita do seu assassinato.
Apenas mais uma viúva.

"Como você poderia me dizer que eu estava errada?
Foi um assassinato, mas não um crime!"
(Cell Block Tango - Chicago)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Bastidores?

"Pop!
Six!

Squish!
Uh-uh...

Cicero!
Lipshtz!"

(Cell Block Tango - Chicago)



Palco, luzes, aplausos!
Eu quero voltar a ter o meu brilho natural.
Preciso dançar, preciso mostrar em cada movimento.
A sutileza de uma sensualidade oculta.
Preciso acelerar esse processo em mim.
Deixar cair a última máscara de um comportamento adequado à essa sociedade hipócrita.
Revele-se!
Mostre ao mundo o seu poder, o seu encanto.
Os bastidores não combinam com você, aceite isso.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Amanhã

Eu tenho medo de me perder,
Quando ouço os seus mortos chamarem meu nome.
E os meus mortos, que eu mesma matei, voltam,
Com sua enorme sede de vingança,
E eu não encontro seus braços pra me proteger.

Você me lembrou como era que eu me sentia,
Toda vez que era tida como um objeto descartável.
-"Amanhã eu não posso garantir"
Mas amanhã, tudo passa, a minha dor...
...eu mesma terei passado.

E quem garantirá, se assim o for,
Que terá passado também o nosso amor?
Se pra você sim, pra mim eu não sei.
Eu, em minha consciência diria que nunca.

Mas, se pra você assim o for,
Porque não para mim?
Porque eu sou diferente de você.

As coisas verdadeiras não passam assim.
Mesmo que eu tenha me deixado enganar,
E cometido toda sorte de pecados graves,
Amar eu só amei uma vez. Eu só amei você.
E você, "amanhã já não sabe."

Se eu pudesse realizar somente um desejo,
Desejaria viver hoje. Para sempre.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Estrela

Eu sou uma estrela de brilho intenso
E eu brilho num céu chamado você.
São tantos caminhos,
Mas parece haver somente uma chance.
Às vezes a gente acha que está tudo certo.
Onde eu estava quando todas as coisas voltaram ao seu devido lugar?
Ao seu lado. E eu nem percebi o que estava acontecendo.
Se antes eu era uma estrela que brilhava mais que o sol, porém sozinha.
Hoje faço parte dessa constelação imensa nesse céu luminoso que é você.
Estrela de brilho eterno sustentada pelo magnetismo que você exerce sobre mim.
Finalmente eu tenho um motivo pra seguir quando tudo o que eu quero é morrer.
Amar assim é o melhor presente que ganhei de Deus nesses vinte anos de vida.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

3 minutos...

Faltam 3 minutos para o nada.
Para uma comemoração vazia.
Pra faltar palavras pra agradecer.
Pra eu olhar pra trás e dizer: e então? O que é que muda?
Nada mudará...

domingo, 8 de agosto de 2010

O que pode ser pior?

Quando eu era criança, era extremamente moleca.
Brincava, corria, subia em árvores e em tantos outros lugares.
Consequentemente, me machuva toda.
E levava broncas terríveis, batia boca com a mãe.
Acabava levando uma surra do pai.
E eu chorava desesperada pensando comigo mesma: "O que pode ser pior?"

Discutia com meu irmão.
Ele queria ver filmes com a namorada.
Claro que eu queria ver desenhos e novelas infantis.
Até mesmo bolacha recheada era motivo pra um racha entre irmãos.
Em meio à tantas brigas, nos chingávamos, nos batíamos.
E eu acabava num canto, chorando e me perguntando: " O que pode ser pior?"

Poucos anos passaram, a pergunta que vem ao final não.
Quando descobri o amor pelo futebol, meus olhos brilhavam.
A cada jogo, uma enorme emoção.
Mas, entre partida e outra há alguma derrota, um jogo, uma final.
E em meio ao orgulho pela luta da equipe, a tristeza e a pergunta: "O que pode ser pior?"

Me descobri moça, e o que pode ser pior que uma cólica?
Me percebi voluptuosa e o que pode ser pior que não ter alguém pra satisfazer seus desejos?
Me senti sozinha e o que pode ser pior que não ter com quem conversar?
Me vi ir embora de lugares que queria ficar e o que pode ser pior do que isso?
Me enganei por opção e o que, me diga se puder, pode ser pior do que isso?

Eu chorei muito mais do que pude imaginar que poderia chorar por todas essas coisas.
Mas só hoje descobri que nada disso pode ser pior do que imaginar você longe de mim.
O que é a minha vida sem você? De que vale viver se não for pra te ver sorrir?
Você é minha cura, minha satisfação, meu conselheiro, meu conforto, minha verdade.
Meu amor eterno.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Decadência

Estou chegando ao fim da linha
Me vejo nua, vazia de sonhos e de ilusões.
Completamente sem entusiasmo pra seguir em frente
Nenhum objetivo, ninguém pra conversar.
Eu não falo da minha vida. Eu até tento, mas eu não consigo!
Quando eu começo, as pessoas mudam de assunto.
Ou pior, fazem cara de "nossa, que bosta..."
Eu sei, eu me tornei irrelevante.
Me sinto tão pressionada que nos últimos meses minha TPM tem sido o verdadeiro inferno.
E eu, que já fui homem um dia, sou hoje uma frágil flor, murcha!
Já fui estrela do meu show e hoje não passo de... isso.
Qualquer pessoa que porventura venha a ler esse texto nada mais irá dizer.
Apenas lerá, texto após texto e fechará a página sem dizer palavra, sem ter se emocionado, sem um pouco que seja de comoção.
Há pouco mais de uma semana do meu vigésimo aniversário é uma derrota perceber que a vida é só isso.

Eu disse o que está escrito. Nada mais.

Lágrimas queimam o seu coração como a chuva ácida que cai e destroi imensas florestas.
Hoje ela percebeu que já não faz parte do seu dia.
Agora quando eles se vêem é porque ela correu atrás com suas mentiras.
Ela percebe que ele trocou suas fotos por outras com outros interesses, outros.
Ela só quer saber se os outros estarão ao lado dele quando ele cair.
Cá entre nós, sabemos pela longa experiência da vida que não.
Somente ela estará lá, por inteiro para dar aquilo que não tem.
Ela é a parte mais doce e também a parte mais perigosa dessa relação.
Porque envolta em sua obsessão, nessa fixação por ele nós sabemos também,
Matar ou morrer tanto faz quando se está... assim.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Eu sei

Sim, eu sei.
Um dia eu fui forte.
Olhei a morte olhos nos olhos e falei:
"Venha quando quiser, não a temo."
E sei que ainda não a temo, eu sei.
Mas enfim, o que é essa dor que tanto te aflinge?
Se nem a morte é capaz de ofuscar sua coragem.
O que é que faz fraca uma mulher como você?
Quem são os seus monstros? O próprio espelho!
A consciência insiste em gritar no meu ouvido:
"Você é uma farsa!"
Mas já ensinaram o Simbolismo e o Existencialismo
Que tudo é nada.
O que são as correntes, os pensamentos, as tendências?
NADA.
E todo o seu estudo, os seus diplomas?
São o alicerce dos teus três maiores defeitos.
Orgulho, prepotência e arrogância.
Pra que se esconder atrás dessa máscara?
Se, na verdade, você bem sabe, ninguém te vê.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Verdade

Qual parte de mim está aqui nesse momento?
Eu vejo o mundo girar, vejo pessoas mudando.
Na minha frente, mudando de personalidade.
Vejo lobos tirarem a pele de cordeiro.
Vejo flores murcharem de uma só vez
Vejo amores que morrem num só instante.
E são substituídos por outros amores, e outros amores...
Eu me sinto mal. Eu não sou assim. Como todo mundo é.
Eu pego fogo sozinha. Eu vou resistir.
Tenho nojo de mim. Eu vou resistir a esse pensamento que veio num só instante me distrair.
Porque eu sei que todo mundo é assim e eu nunca quis ser como todo mundo é.
Preciso de respostas. Eu as trago escondidas em algum lugar perdido.
Tenho que encontrar em mim, tenho que parar de esperar dos outros a solução dos meus problemas, das minhas dúvidas e de todos os meus questionamentos inquestionáveis.
Eu não vou chorar, porra. Eu não vou chorar. Eu não posso mais chorar. Porque eu não choro, muito menos em público.
Preciso das minhas verdades ocultas, imutáveis. Preciso de mim como nunca precisei de algo antes em toda a minha vida. Preciso mesmo esquecer que dia 13 é meu aniversário. Sério mesmo. Eu preciso esquecer tanta coisa, tanta coisa, tanta...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Do medo

Hoje eu descobri o verdadeiro significado da palavra medo.
Medo é aquilo que sentimos quando queremos nos defender do que não temos total controle, quando nem tudo pode ser trazido sob o seu domínio o tempo inteiro, abaixo de sua vista.
Aquele vazio, a sensação de impotência diante de algo.
O nome disso é medo. E você só consegue explicar quando ele passa.
Hoje eu sei o que são na verdade as lágrimas.
Lágrimas são expressões livres da alma que tentam explicar aquilo que não tem explicação.
Hoje eu estou aqui pra admitir que tenho medo e que chorei.
Eu não sou mais uma rocha vazia. Eu sou uma mulher de carne e osso.
Foi aceitando as minhas fraquezas que pude, enfim, me admitir humana.
Apenas um sentimento tão forte e tão intenso pôde ser capaz de revelar essa minha nova face.
Hoje eu sei que posso ser alguém melhor, sei que preciso crescer em muitos aspectos.
E isso eu devo a você, ao nosso amor.
Preciso do seu abraço, você sabe o quanto.
Eu te amo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Felicidade

A felicidade não está nos altos números que o mundo valoriza.
Felicidade é ver o sorriso dele, tão perto.
É tê-lo comigo, deitado ao meu lado.
Saber que nosso amor é eterno, tão certo.
Num único segundo em que, olhando aqueles olhos,
É possível ter certeza que nada é mais importante.
Do que tê-lo comigo, nem que seja em silêncio
Nem que seja no seu cansaço, nem que seja dormindo.
A cabeça encostada em meu seio, ele dormindo em meus braços.
E eu, sonhando bem acordada, pedindo que a hora não passe.
Pra que eu ou ele não tenha que ir embora.
Mas quando chega essa hora, em que há a separação dos corpos
Há muito mais de nós que fica do que o corpo que realmente vai.
Eu sei, eu sinto...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Altamente clichê

Eu sei que é praxe há um mês do meu aniversário eu vir aqui reclamar que as coisas não vão bem...
Talvez seja a primeira vez em vinte anos que eu não vá necessariamente fazer reclamações.
Há que se esclarecer também que eu não estou aqui a reclamar há vinte anos.
Um dia eu fui criança. E nessa época (le belle époque!) eu ainda amava fazer aniversário. Quando ganhei consciência da existência dessa data (louvável, por sinal) amei-a, festejei-a e desejei que chegasse mais que desejava o Reveillon. Hoje, amabas perderam a graça. Prefiro a Sexta feira da Paixão... Vai saber porque, mas prefiro.
Voltando ao tema: há um mês do meu "glorioso" aniversário, o que eu tenho a dizer?
Primeiro: Não há motivo pra festa. Você não está ganhando nada. O primeiro dígito muda de 1 para 2 e o segundo de 9 para 0 voltando pela segunda vez ao início da contagem. Isso quer dizer: menos um ano de vida. Você está um ano mais perto da menopausa, da osteoporose, da aposentadoria, da velhice, dos netos te abandonarem num asilo ou tentarem te matar pra dividirem logo a sua herança, se você tiver algo pra dar. Se não, contente-se com a hipótese do asilo público. Eles não vão querer gastar dinheiro com você...
Segundo: Pra ter netos é preciso ter filhos. Será que poderei tê-los? This is the question!
Terceiro: Foda-se! Escrever nessa merda não vai mudar a minha vida. Eu não sei escrever e fui enganada o tempo todo por quem diz que eu sei. (Aliás, faz tempo que esses mentirosos sumiram. Faz tempo que não ouço isso...) Esquece isso, tanto faz, tanto faz...

Vermelho

Eu deveria estar com medo do que vai ser de mim agora.
Mas medo não é necessariamente uma palavra constante no meu vasto vocabulário.
Já diria Thedy Correa: "eu tenho meus temores, sei que você também tem..."
Mas medo, medo mesmo, não. Isso sei que não tenho.
Bate em mim, na verdade, um calafrio quando penso que eu deveria não querer o que quero.
E ficar feliz por sentir essas dores, cada vez mais fortes. Elas indicam que tudo está como a sociedade quer que esteja. Mas eu não queria. Não queria ver essa mancha vermelha pelos próximos nove meses. Eu não queria voltar a sentir essa dor antes disso. Queria outras dores, novas dores. Dores que me acompanhassem por toda a minha vida a partir de hoje.
Do ato de por vida na Terra e alimentá-lo. A dor de vê-lo sofrer sua primeira gripe, os primeiros dentes, seu primeiro tombo. Das brigas com os coleguinhas. A dor das más respostas, o pagamento de tudo que eu disse para a minha mãe.
Preciso ir ao banheiro... Acho que novamente, não foi dessa vez...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Eu falo...

Eu falo sozinha.
Já te disse que eu falo sozinha?
Eu falo. Falo comigo mesma.
Inclusive quando não há exatamente o que dizer.
Eu falo as coisas que eu não disse.
Ainda bem que só eu me escuto.

domingo, 4 de julho de 2010

Muito, muito coerente...

O que é que eu vou escrever agora se tudo que eu queria dizer já foi escrito numa letra de música, em velhas cartas, com minhas lágrimas derramadas no chão do quarto?
Na música que toca, que repete e que quando eu paro ouço tocando como se ela fizesse parte de mim.
O que tudo isso quer dizer afinal? Todas as aulas, todas as músicas, os conselhos, as brigas, o que tudo isso quer dizer afinal?
O que querem dizer os tapinhas nas costas, as broncas, os sorrisos e todas as vezes que você me ignora?
O quanto eu terei que editar esse texto dessa vez porque estou nervosa e digito sem olhar e tudo errado, entre lágrimas, soluços e suspiros, as mãos trêmulas, incostantes como meu coração.
Eu não te farei sofrer meu amor como você me faz. É só isso que eu quero te dizer e não consigo, as palavras não saem. E meus dedos congelados teimam em dizer coisas que não estão em meu coração quando tudo que eu quero é que essa angústia passe pra que eu possa ir dormir e desligar essa maldita música que eu sei que vai tocar até nos meus sonhos, até no dia em que eu morrer...
FODA-SE.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Silêncio

Eu não saberei exatamente o que dizer
Quando hoje, ao fim da tarde, eu te encontrar.
Porque, ao certo, não há palavras com as quais
Eu realmente possa dizer o quanto eu te amo.
Nem tão pouco o quanto doi a sua indiferença.
Diante do emaranhado de coisas que eu sinto.
No decorrer de um único instante em que percebi,
Que tudo aquilo que por mim você sente pode, simplesmente,
Sumir, desfazer-se no ar.
É só porque eu sou boba que me sinto inerte diante,
De todo esse ser que é você, a postura que você adota.
Que me assusta, que me apavora, sem dó.
Talvez meu erro seja não saber dissimular,
O tamanho do amor que sinto, o quanto te quero bem.
Talvez meu erro seja menosprezar as pequenas coisas.
E não identificar aquelas que podem nos fazer mal,
Não perceber onde mora o perigo, não reparar nos sinais.
Se ao menos você parasse por um instante pra pensar,
E percebesse que não há erro, dessa vez, da minha parte.
Que não há também necessidade de castigo.
Se ao menos você me ligasse.
E na sua voz eu pudesse ver um sorrisso, sentir um beijo.
Eu poderia me sentir em paz novamente,
Sabendo que você ainda faz parte de mim...

domingo, 27 de junho de 2010

Da Vitória

"Birds go flying at the speed of sound,
to show you how it all began.
Birds came flying from the underground,
if you could see it then you'd understand?
Ah, when you see it then you'll understand?"
(Speed of Sound - Coldplay)

Valeu a pena a entrega
Mergulhar com a única roupa do corpo naquele mar escuro
E descobrir naquele breu que há um sol pra cada um de nós
Ainda que correndo o risco de afogada morrer.

A minha vida inteira eu construí assim.
Uma só chance pra escolher, um só caminho
Nada mais além disso, nada que não isso. Nada,
Maior que a força de vontade que trago no peito.

Ainda que o amor que sinto tente me derrubar.
E o meu orgulho tantas vezes me impeça de crescer.
Às vezes eu lembro que simplesmente tudo eu posso superar.
Tudo pra mim é nada quando eu decido que será assim.

Trago em uma só mão as rédeas da minha vida.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Conversa no Espelho

"O dia acaba devagar. Assume-o e aceita-o. É a palavra final, a da aceitação. Só os loucos e os iludidos a não sabem. Não sou louco. Não são horas de ilusão."
(Trecho do livro "Para Sempre" de Vergílio Ferreira)

Estou farta de tanta imbecilidade
Essa coisa toda de sonhos, de desejos.
De que vale sonhar? De que vale correr atrás disso ou daquilo?
O mundo costuma ser frio e concreto e nós somos um mero acidente por aqui.
Eu vou viver essa merda de vida com os olhos abertos e o coração na mesma mão em que seguro uma faca de fino corte.
Aceita de uma vez que você perdeu! Assume que você sempre esteve sozinha e que continuará sendo assim para sempre.
Você sonha sozinha, você perde sozinha, você chora sozinha. Você está sozinha.
Agora, antes, depois, tanto faz. Você é segundo plano.
Liberte-se de si mesma e escolha pra quem você vai viver, sem direito a voltar atrás.
Se para si, assuma a sua solidão.
Se para os outros, abra mão de si mesma.
Mas escolha de uma vez, não olhe mais nem sequer para os lados.
Aprenda a dizer sim senhor, aprenda a deixar de aprender.
Aprenda a parar de escrever, esqueça a sua opinião, a porra da sua ideologia e seus conceitos fúteis de uma vida inteira. Esqueça de uma vez essa merda toda, afinal tanto faz. Tanto faz!
Aprenda a achar graça no que não tem, a sorrir quando quiser chorar, a calar quando quiser falar. Aprenda a apoiar o que te contraria e a fazer dar certo o que você deseja com toda a sua alma que dê errado e tenha um fim imediato.
Cala a boca voz imbecil dentro de mim, última lembrança de mim mesma.

EGOÍSTA!

domingo, 20 de junho de 2010

Para sempre

Você passa a existir a partir do momento em que você sofre. A sociedade nos impõe escolhas. Se você escolher o que sociedade quer, você deixa de existir, agindo de forma covarde. De outra forma, ao fazer a sua escolha, indo na contra-mão, optando pela sua vontade, você deve assumir junto as consequências de cada ato seu, ainda que isso, por vezes, seja prejudicial. Com isso, gera-se a angústia que atormenta o ser e ela nada mais é do que consequência do existir. Não há existência sem dor. Quem não se desgasta não vive, não existe. A sociedade á autora de um sistema que nos impõe o que é convencionado como certo. A partir do momento que você questiona tudo isso entra em crise. Por isso, precisamos aprender a respeitar o outro. O sentido da vida não pode ser depositado no trabalho, no chefe, na profissão, na carreira. O sentido da vida deve ser depositado naquilo que realmente importa: as relações humanas.

Já que tudo o que vivemos aqui é uma farsa e não atingiremos nem a essência da vida, nem a da morte, que ao menos eu possa escolher qual papel eu vou representar, de qual "faz de conta" eu vou brincar. Com as escolhas passo a existir e com isso pagarei o preço da minha liberdade.

Por maior que seja o problema, ele não é um problema. É apenas uma ilusão que eu criei.

Trechos de anotações da aula sobre Existencialismo, com ênfase na obra Para Sempre de Vergílio Ferreira ministrada pelo Prof. Dr. Gerson Gonçalves da Silva no dia 18 de junho de 2010.

...mas existo...

"A paz do meu espírito, em doses homeopáticas.
Podia ser mais, mas eu sei que é só isso.
Eu insisto. Eu confesso!
Eu não presto. Mas, existo..."
(Prisão das Ruas - Ira!)

Eu estou aqui,
E estou sozinha.
Eu não existo.
E a culpa nem sempre é minha.

Meu mundo desmorona.
Minha vida a extinguir-se.
Mas pra você tá tudo certo,
Tudo certo...

Eu quis ter você mais perto,
E não tive o quanto queria.
Isso me leva ao inferno.
Mas, tá tudo certo...

Isso me faz crer,
Que eu preciso de um vez,
De algo que me distraia.
E que me faça existir.

...ao invés de fingir que tá tudo certo.

domingo, 6 de junho de 2010

Você

Você me envolve,
E eu já não tenho forças nem mesmo pra fugir.
Você me quebra,
E nenhum argumento pode te fazer pedir perdão.
Você me cega,
E eu nem percebo que você me domina sem nada dizer.
Você me beija,
E eu já não percebo nem mesmo o passar das horas.
Você me aperta,
E meus olhos se enchem d'água por acharem ser tudo isso ilusão.
Você me toca,
E eu que já não sabia das horas já não sei do espaço ou de qualquer outra coisa que não seja você.
Você se afasta,
E leva embora a minha felicidade a cada adeus.

E cada beijo que você me nega é um ferida.
A cada eu te amo não dito uma nova aflição.
E você não liga, você não se importa...

PS.: Dói saber que você já não é feliz ao meu lado.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Eu creio

Você pode acreditar no que você quiser
Ainda que isso exclua as minhas palavras
Eu não me importo.
No que eu digo basta eu acreditar, nada mais.
Eu creio no amor que sinto por você
Desde antes que eu pudesse perceber que você estava ali.
Mesmo que você ria alto do que eu digo.
Eu creio no que sinto porque sinto, isso basta.

Você tem seu jeito próprio de ver o mundo.
E pra mim isso é completamente aceitável
Não vou tentar te convencer que eu tô certa e você não
Não posso e se pudesse ainda assim não iria querer
Aquilo que pra você foi amor sincero pra mim pode não ser
Foi tudo uma enorme obsessão, a sua e a minha história
Um grande erro, enorme engano, cegueira, ilusão.
É dessa forma que enxergo nossos passados.

E você veio pra me libertar de tudo isso.
Quem te disse que pra amar é preciso conviver?
Acho que mentiram pra você...
Tenho certeza que te amo desde que te vi pela primeira vez
Ainda posso ouvir tua risada alta, dizendo que não
E ter ainda mais certeza que isso é verdade
Talvez não seja possível pra você, que não quis
Mas pra mim que te queria desde sempre foi, é...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Da raiva

Você entregou a mim as cartas que ela escreveu pra você
Disse que eu poderia fazer com elas o que eu quisesse
Já li, reli e agora só há uma coisa que eu queria saber:
O que é que eu faço com isso?

Eu preciso ler com a mente livre de toda a raiva.
A raiva de não ter sido eu o seu primeiro amor.
Raiva que nasce do meu egoísmo em querer,
Que na sua vida tivesse existido tão e somente eu e nenhuma outra...

...e que agora eu não tivesse em minhas mãos memórias suas pra destruir.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

...e em três meses?

"Em duas luas nós já vimos mais que em tantos sóis."
(Nessa Rua - Nenhum de Nós)

Eu posso dizer apenas que em três meses eu já vivi mais, muito mais que na soma dos anos outras vezes.
Porque tudo que houve entre nós foi por amor e com amor, não foi mera formalidade.
Foi de coração cada entrega, cada abraço, cada beijo.
Com muita alma cada briga, cada discussão, cada pedido de desculpa, cada reconciliação.

Eu senti muito mais medo em três meses que durante toda a minha vida.
Porque te amo, e não suportaria te perder pra nada.
Tive também mais coragem do que em qualquer que fosse a ocasião.
Porque ao seu lado eu me sinto segura pra ir onde quiser.

Três meses que mudaram a minha vida por mais parecerem ser ela inteira.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Insegurança

Às vezes eu leio coisas que não deveria ter lido.
Fico sabendo de coisas que preferia não saber.
De como vocês se amaram num dia tão distante
Ou talvez, nem tão distante quanto eu quero crer.

Às vezes eu acho que esse rancor que você ainda sente
Não seja assim, tão sem fundamento
Por um momento parece ser imagem do que ainda vive
Em algum lugar oculto em seu coração.

Parece que só eu sou capaz de transformar em pó
As coisas que outrora foram mais importantes pra mim
Somente eu posso anular, sufocar e excluir pra sempre
Algo que antes foi minha vida.

Talvez meu medo não seja tão infundado assim
Assim como eu posso, de repente, estar enganada
As coisas podem simplesmente não ser como parecem
E ao mesmo tempo, podem ser isso mesmo.

...por isso, eu ainda sofro. Apesar de te amar como te amo e ter você aqui, comigo.

Nota: Impressionante como essas bobagens fazem-nos sofrer profundamente.

quarta-feira, 17 de março de 2010

...para trás.

Porque a cada dia que passa eu posso perceber em seus olhos que diminui a sua confiança em mim?
Se cada passo, cada vitória, dedico a você com gratidão.
Se mudei os meus hábitos de uma vida inteira, se deixei pra trás todos os meus falsos amores.
Se rasguei os retratos, queimei as agendas e os diários, apaguei, enfim, todos os registros.
Tudo isso pra você entender que na minha vida não existe nada mais, além do nosso amor.
Mas agora essa angústia invade meu peito e me deixa desesperada, achando que dessa vez não terá volta.
Será que a vida inteira eu vou passar me perguntando: "O que eu faço pra ele confiar em mim?"
O tempo todo temendo te deixar intrigado, chateado, irritado. Me policiando, me corrigindo.
Até quando?

quinta-feira, 11 de março de 2010

Só quem vive

Só quem é vivo pode confiar em quem está ao seu lado.
E dizer isso pra pessoa e deixar claro que isso não vai mudar,
Correndo o risco de ter esse cristal partido em mil pedaços.

Só dá a cara à tapa quem vive aqui, no mundo de verdade,
E ri e chora. Corre, sente frio, sede e fome por crer no amor,
Mesmo quando pela frente há apenas silêncio.

Só mesmo quem tem medo pode se dizer vivo.
Ter medo faz parte, o medo se dá quando é preciso proteger,
Mas há que entender que proteger não é ocultar.

E é só por que eu estou aqui viva que fiz o que fiz,
Errei como errei, chorei quanto chorei, sofri daquela forma,
De maneira intensa foi que eu lancei mão de cada passo.

Fiz da minha estrada meu caminho, meu jardim e minha casa.
Onde pudesse me sentir a vontade onde quer que estivesse,
E ainda assim, tive medo até quando disse que não sentia.

Mas nem mesmo ele foi capaz de me deter,
Só porque nada tem força suficiente para me parar.

terça-feira, 9 de março de 2010

Mais perto

Naquela manhã eu acordei cedo e fui trabalhar.
Voltei pra casa no almoço, voltei pra igreja mais tarde.
Você me disse que iria, mas não havia chegado.
Perdia minhas esperanças a cada passo rumo ao altar.
Foi quando eu te vi piscar pra mim e senti que sim.
E sorri e tremi e não tinha como disfarçar o nervosismo.
Subi, desci, conversei, olhava pra você. Corri.
Tive medo que você fosse embora sem me esperar.
Mas você esperou. E foi pra casa comigo naquela tarde.
Eu toquei a sua mão e soltei depressa, com vergonha.
Nós andávamos sem rumo pela rua, até chegar na esquina.
Você disse que ia me levar até o portão, era o que eu queria.
E foi na frente da minha casa que aconteceu.
Parados na calçada eu, você e todo o resto do mundo.
Naquela indecisão que antecede os grandes feitos do homem.
Mais perto as mãos. Mais perto os corpos, o abraço apertado.
Aquela troca de olhares, as bocas. Mais perto até se tocarem.
E se tocaram em pequenos beijos curtos e consecutivos.
Ia chover, mas naquela tarde não, São Pedro não quis.
Apenas meia dúzia de gotas curiosas cairam sobre nós.
Elas queriam ver e de fato viram nosso primeiro beijo.
Há dois meses o sonho de vinte anos deixou de ser sonho.
Quando eu beijei o homem que amo e comecei a viver de verdade.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Mil pedaços

As fotos, agora rasgadas, não falam mais.
Estão pra sempre perdidas, em mil pedaços,
Não dizem mais nada, não nos unem.

As fotos rasgadas, perdidas no lixo,
Em algum aterro, há quem possa achá-las?
Juntar aqueles pedaços não vai adiantar.

Pra mim agora aquela história tanto faz.
As fotos rasgadas, antes guardadas em álbuns,
Agora, não existem mais.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O Jogo

Quando eu grito de dor você me ignora,
Mesmo assim eu sempre estarei aqui quando você quiser voltar.
Eu vou tentar entender quando você não quiser falar.
E vou te amar quando você desliga o telefone na minha cara.

Porque eu não valho nada!
Eu não tenho vergonha na cara.
Vou continuar esse joguinho de dissimulações e omissões,
Onde a última palavra sempre é tua e eu sempre acabo cedendo.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Eu tenho que ir...

É o celular que toca, é meu coração que bate mais forte.
Você está lá fora, sentado na calçada ou perto do poste,
Me aguardando, impaciente em seus dois minutos de espera.
O sol, a lua, as estrelas, a chuva, o vento, a rua, os pássaros,
Todos pararam pra ver o minuto mágico em que eu saio,
E o meu olhar cruza com o teu, abrem-se sorrisos sinceros.
Um abraço cheio de saudade, um beijo doce, eu na ponta dos pés.
As minhas mãos no teu pescoço, meu peso sobre teu corpo.
Vizinhos olham, pessoas passam, no meu mundo não há ninguém,
Quando olho nos teus olhos que se fecham, antes fitando em frações de segundo,
A minha boca e a tua, que entreabertas, procuram uma à outra beijar-se,
Amar-se, completar-se, realizar-se, saciar-se, ah quem me dera! Fundir-se.
E depois disso, eu sei, meu mundo vai desmoronar em segundos,
Quando você diz que tem que ir embora. Agora.
Oscilando entre a razão e a fragilidade eu digo que é cedo.
Mas nada que eu diga vai manter você junto de mim nessa hora.
Em que os deveres, os afazeres, os compromissos te chamam.
E você tem que ir pra longe de mim...

Nula

Quem me dera eu vivesse a ditadura
E todos os seus movimentos em favor da liberdade.
Não posso mais viver sem uma causa pra lutar.
Onde estão meus ideais, as minhas verdades?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Pode uma vida inteira acontecer em apenas um mês?

Eu vejo as legendas cantarem
Os anos das uniões dos outros
Eles riem, caçoam e zombam
"- Vocês têm apenas um mês."

Eu não sei você, mas pra mim
A vida inteira estivemos juntos
Bom, sendo assim, nesse caso
São incontáveis aniversários.

E ninguém pode nos superar.

Dos erros (que eles sejam esquecidos)

O erros que cometi estão guardados,
Em caixas das quais não posso me desfazer.
Você as guarda, zela delas e as abre constantemente.
São tiros de fuzil em meu coração.

Aqueles erros são meus, eu sei.
Eu aprendi com eles, mudei através deles.
Mas não os aceito, detesto-os sinceramente.
São como tiros, são como flechas.

São como armas, balas, venenos.
A ponte que caiu, o prédio em chamas.
Lembranças tenebrosas a me esbofetear.
Foram meus erros, foram meu fim...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Bom dia!

Para que ter um blog se não consigo escrever?
Pra dizer "bom dia" pro vento.
Não quero e nem vou divulgar meu retorno a esse mundo.
Vazio.