quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Espelhos rachados

Quando me olho no espelho vejo alguém que não conheço.
Uma desconhecida, uma estranha, feia em vários ou todos os detalhes.
Ao me flagrar sozinha, ao vento, vejo cabelos bonitos.
Imagino em mim um sorriso algre, um rosto sereno.
Então, vem o espelho mostrar que minto, o tempo inteiro, minto.
Meu rosto marcado não nega, em cada cicatriz.
O monstro de dentro que destroi a morada por fora.
E eu aqui, mais uma vez, tentando me enganar.
Buscando encontrar uma estrela que não brilha mais.
Inventando talentos que nunca existiram.
Porque eu não me conformo de uma vez e aceito,
Tudo aquilo que não sou e nem serei?
É difícil se desvencilhar de algo quando você não sabe do que.
Quando você simplesmente não sabe...
Você olha pro nada, espera algo que não virá,
Se dá conta de que sua vida não existe.
E se pergunta, porque, em vão.
Tantos se matariam nessa hora má.
Mas eu? Eu não.
Eu fico aqui e espero ele voltar.
Mato mesmo o tempo. Coitado.
Quem diria eu acabar com um texto assim.

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