Naquela manhã eu acordei cedo e fui trabalhar.
Voltei pra casa no almoço, voltei pra igreja mais tarde.
Você me disse que iria, mas não havia chegado.
Perdia minhas esperanças a cada passo rumo ao altar.
Foi quando eu te vi piscar pra mim e senti que sim.
E sorri e tremi e não tinha como disfarçar o nervosismo.
Subi, desci, conversei, olhava pra você. Corri.
Tive medo que você fosse embora sem me esperar.
Mas você esperou. E foi pra casa comigo naquela tarde.
Eu toquei a sua mão e soltei depressa, com vergonha.
Nós andávamos sem rumo pela rua, até chegar na esquina.
Você disse que ia me levar até o portão, era o que eu queria.
E foi na frente da minha casa que aconteceu.
Parados na calçada eu, você e todo o resto do mundo.
Naquela indecisão que antecede os grandes feitos do homem.
Mais perto as mãos. Mais perto os corpos, o abraço apertado.
Aquela troca de olhares, as bocas. Mais perto até se tocarem.
E se tocaram em pequenos beijos curtos e consecutivos.
Ia chover, mas naquela tarde não, São Pedro não quis.
Apenas meia dúzia de gotas curiosas cairam sobre nós.
Elas queriam ver e de fato viram nosso primeiro beijo.
Há dois meses o sonho de vinte anos deixou de ser sonho.
Quando eu beijei o homem que amo e comecei a viver de verdade.
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