Da voz ao olhar, tudo a excita.
Ela chega na casa dele, deixa a bolsa ao lado do sofá, senta, sempre ofegante após a caminhada.
Por sua vez, ele parece indiferente diante dela. Continua suas tarefas como se nada tivesse mudado e ela não estivesse ali.
Ao menos é assim que ela o vê, é isso que ela logo imagina e a faz pensar que não deveria ter ido.
Eis que, de repente, ele senta ao seu lado e, mais de repente ainda, deita em seu colo.
Os dois se olham, trocam algumas palavras, alguns carinhos, algumas risadas.
Até se tornar insuportável manter distantes suas bocas, que num instante, unem-se buscando saciar os desejos mais secretos, que de tão secretos talvez, nem eles tenham consciência.
A partir daí, algo acontece no mundo. Algo muda para todo o sempre. Cada vez que aqueles dois decidem tornar-se apenas um de tão próximos, de tão íntimo que se torna o toque.
São beijos demorados, são pedidos, são gemidos. As mãos em pontos estratégicos que eles descobrem por puro instinto, o calafrio.
Cai a primeira peça. Podem ser os sapatos, a blusa dela, a camiseta dele. O encontro daquele tórax masculino com o frágil e esguio corpo de menina, de moça, de mulher que surge das cinzas e se reinventa todos os dias.
Cai o sutiã, as calças. Cada vez mais próximo, mais perto, mais certo.
Eles exitam na hora de tirar as mais íntimas peças como se não tivessem certeza que suportariam viver aquele amor da maneira mais intensa.
Mas não resistem e ficam nús de todos os seus pudores e se admiram como se o outro fosse a mais bela escultura do classicismo, do barroco, do renascimento ou qualquer escola a seu gosto.
Se unem, se fundem, se confundem e se tornam algo que não pode ser definido, quando o corpo dele habita o dela e o suor dos dois não pode mais ser distinto, identificado em suas origens.
O mais completo frenesi quando ela já não ouve a música que toca na sala e não sabe mais se era Coldplay, Cássia Eller ou Legião Urbana. Salvo por uma ou outra frase, de alguma música em especial que em meio a um quase delírio sai de sua boca direto ao ouvido dele.
Eles alcançam outro mundo, outra esfera, outro lugar. Uma fuga simples, da realidade que vivem.
Cada vez mais baixa, a música parece não mais tocar e o mundo parece não mais girar quando, depois de fazer amor, eles param, esgotados.
Ele, outrora sobre ela, estira-se ao seu lado, segura a sua mão que ela aperta como quem quer ter certeza que não será abandonada, como quem deixa claro que sem ele já não há vida.
Quantas vezes disseram que se amavam enquanto estavam envolvidos no frenesi dos corpos fundidos? Várias.
E ainda várias vezes repetem as declarações desse sentimento tão verdadeiro, numa breve, simples e sincera confissão do que há de mais absoluto em suas vidas: o amor que sentem um pelo outro.
P.S.: Jurava ter postado isso em 2010, mas, por alguma razão não explicada, ele habitava os rascunhos. Agora, não mais.
?
segunda-feira, 21 de abril de 2014
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Irreversível
irreversível
ir.re.ver.sí.vel
adj (i2+reversível) Que não é reversível; que age apenas em um sentido.
Você está seguindo pelo caminho certo,
Mas esteja atento, pois ele é irreversível.
Como suas palavras no fim da tarde de ontem,
Como os espinhos que você pôs, um a um, em meu coração.
Ainda que você se arrependa e os arranque, jamais cicatrizarão as feridas.
Purulentas, vazias e ao mesmo tempo cheias de ódio e indignação.
Eu esqueci de te falar somente, tão somente, uma coisa:
Eu, ainda existo.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Tá, tudo bem...
Você me lança para longe de si toda vez que me faz chorar
E esse seu prazer em ver as minhas lágrimas é a confirmação
Da tristeza, da dor, da solidão a que estou fadada
E não posso fugir desse destino, não sei porque
Você e essa sua mania de me confundir com uma secretária
A quem se dá uma lista de tarefas que ela tem que cumprir
Em prazos determinados por você e que, geralmente,
Não levam em consideração a capacidade humana de concluir tudo a tempo
Você e essa habilidade única de me fazer voltar a escrever
Os mesmos clichês de sempre, as mesmas palavras
que só me vem à mente quando eu estou muito triste.
Como eu me sinto agora, sem vontade de conversar, pasmem.
E eu, fico aqui, tentando disfarçar aquelas lágrimas insistentes
Com vontade de gritar pro mundo ouvir
Que você é só mais um covarde, mimado
E que não, não está tudo bem.
E esse seu prazer em ver as minhas lágrimas é a confirmação
Da tristeza, da dor, da solidão a que estou fadada
E não posso fugir desse destino, não sei porque
Você e essa sua mania de me confundir com uma secretária
A quem se dá uma lista de tarefas que ela tem que cumprir
Em prazos determinados por você e que, geralmente,
Não levam em consideração a capacidade humana de concluir tudo a tempo
Você e essa habilidade única de me fazer voltar a escrever
Os mesmos clichês de sempre, as mesmas palavras
que só me vem à mente quando eu estou muito triste.
Como eu me sinto agora, sem vontade de conversar, pasmem.
E eu, fico aqui, tentando disfarçar aquelas lágrimas insistentes
Com vontade de gritar pro mundo ouvir
Que você é só mais um covarde, mimado
E que não, não está tudo bem.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Nos tempos da escola...
Quando leio as coisas que escrevo (e entenda, só eu leio) me sinto inteligente. Mas, pensando melhor, é muito fácil perceber que isso é só impressão.
Notei que escolhi ser professora pra nunca sair da escola. Que no fundo meu objetivo é nunca deixar de ser aluna da educação básica. Nunca crescer (o que chega a ser irônico). E assim, manter-me próxima de quem eu era. E de como eu era feliz ( e sabia).
Notei que escolhi ser professora pra nunca sair da escola. Que no fundo meu objetivo é nunca deixar de ser aluna da educação básica. Nunca crescer (o que chega a ser irônico). E assim, manter-me próxima de quem eu era. E de como eu era feliz ( e sabia).
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Esquisito
A quem eu devo agradecer por ter perdido o foco?
A quem eu devo agradecer por mais essa dose de desânimo?
Ao amor incondicional que dediquei a você?
Ao gene da traição latente que carrego dentro de mim?
Aos meus excessos, meu carinho, minha distração?
Será que você tá certo, será que eu errei?
Mas que porra! Se eu errei, fala-me em que!
Que até onde eu sei dar atenção a quem se ama não é pecado
E errado está sendo você me oferecendo essa prisão
A liberdade já se foi há tanto tempo, há apenas o que restou de nós
Duas múmias ressentidas e magoadas.
E eu já não vejo porque continuar assim.
Se nem a distancia, o tempo sem se ver conseguem dar jeito nisso.
A quem eu devo agradecer por mais essa dose de desânimo?
Ao amor incondicional que dediquei a você?
Ao gene da traição latente que carrego dentro de mim?
Aos meus excessos, meu carinho, minha distração?
Será que você tá certo, será que eu errei?
Mas que porra! Se eu errei, fala-me em que!
Que até onde eu sei dar atenção a quem se ama não é pecado
E errado está sendo você me oferecendo essa prisão
A liberdade já se foi há tanto tempo, há apenas o que restou de nós
Duas múmias ressentidas e magoadas.
E eu já não vejo porque continuar assim.
Se nem a distancia, o tempo sem se ver conseguem dar jeito nisso.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Apenas lembranças...
Eu ainda lembro do toque, a princípio gentil, dos seus dedos em minha pele.
E depois da voracidade com que você me encurralou naquela cadeira e me despiu rapidamente, ainda não sei se por excesso de desejo ou para aproveitar bem as duas horas no motel.
Lembro do seu jeito sistemático de dobrar a sua roupa e por sobre a mesa e de você deitado na cama, esperando pra saber qual seria a minha atitude. Lembro que eu não sabia nem por onde começar e que comecei da pior forma possível: entregue, indefesa. Dei um beijo desesperado na sua boca e sentei em cima de você. Eu era praticamente virgem, e você praticamente não acreditou. E pela primeira vez eu simplesmente não sabia nem o que dizer, quanto mais o que fazer. Lembro de alguns elogios, de algumas conversas, de um pouco de carinho.E depois de tanto lembrar, eu não lembro de mais nada.
Só lembro mesmo da falta que você ainda me faz. E sempre fará.De eu tentar e nunca conseguir te esquecer. Lembro de fugir, de me esconder, lembro de ceder, de correr atrás e começar tudo de novo. Lembro de fazer uma escolha e não ter coragem de ir até o fim. E só disso que lembro agora.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Lamentável
Aquele incrível potencial de acabar com um lindo dia com meia dúzia de palavras grosseiras que só você é capaz de dizer gratuitamente. Obrigada!
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Todos os dias
Todo dia eu vou pensar como poderia ter sido.
Como poderia ser diferente.
Eu vou pensar nas tuas mãos no meu corpo.
Naquele encontro memorável.
Na coragem que tive quando te amei.
Eu vou lembrar que "o amor continua o mesmo".
Aquele amor, sim eu sei, o nosso amor.
Quente e cada vez mais quente.
Distante e sombrio, enigmático.
Amor que não sabe aonde vai levar quem ama.
Que eu não sei onde vai dar.
Eu sussurrei seu nome no escuro.
Só pra saber como minha voz ainda te perturba.
Mesmo distante.
Como poderia ser diferente.
Eu vou pensar nas tuas mãos no meu corpo.
Naquele encontro memorável.
Na coragem que tive quando te amei.
Eu vou lembrar que "o amor continua o mesmo".
Aquele amor, sim eu sei, o nosso amor.
Quente e cada vez mais quente.
Distante e sombrio, enigmático.
Amor que não sabe aonde vai levar quem ama.
Que eu não sei onde vai dar.
Eu sussurrei seu nome no escuro.
Só pra saber como minha voz ainda te perturba.
Mesmo distante.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Perdidos
E no fim, restou o amor.
E a lembrança vaga das palavras que se perderam num curto espaço de tempo.
Que meus ouvidos não conseguem escutar, mas que ecoam no coração.
No vazio deixado pelo perfume que você não usa mais.
E que por isso, ao te abraçar, eu não senti a fragrância.
De todos os segredos, o mais difícil de guardar, de esconder.
Toda essa loucura que borbulha, que excede em minha alma.
Quantas vezes é um tiro no pé brincar com certas coisas.
Dessa vez, mais que das outras.
Você brincou com fogo e se queimou.
E quando digo que amo, não sei de quem estou falando.
Só sei que amo.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
14 minutos
Eu esperei 14 minutos pela ligação que não veio
Pelo amor que não chegou
Pelas palavras que não ouvi
Pelo abraço que não me aquece mais
Pelos beijos que não me fazem tremer
Eu esperei a vida inteira pra poder dizer que amo
E quando amei, não fui completamente beneficiada
E quando quis não tive resposta
Feliz aniversário! Envelheço (rapidamente) na cidade!
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