E então, choveu.
O calor que eu sentia passou,
Com a chuva que caiu dentro de mim,
Não com a que caiu na rua, nas praças.
E o meu coração mais uma vez é,
Algo que muda com frequência.
Não com relação ao que sinto,
Talvez com relação a como eu sinto,
Com certeza com o que fazem eu sentir.
O que querem que eu sinta?
Junto com a dor que me afasta de mim,
Dos outros, das verdades,
As mentiras que contei ontem, hoje, amanhã,
E as outras farsas.
Fico andando, sem rumo, pela casa,
Pensando nos livros e nas letras de Chico Buarque.
Eu vejo que já não sou tão intelectual assim,
Vejo que nunca fui tão intelectual assim,
Percebo que a minha intelectualidade era outra farsa,
E me calo. Antes que descubra todas as outras.
Enigmático.
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