terça-feira, 13 de julho de 2010

Vermelho

Eu deveria estar com medo do que vai ser de mim agora.
Mas medo não é necessariamente uma palavra constante no meu vasto vocabulário.
Já diria Thedy Correa: "eu tenho meus temores, sei que você também tem..."
Mas medo, medo mesmo, não. Isso sei que não tenho.
Bate em mim, na verdade, um calafrio quando penso que eu deveria não querer o que quero.
E ficar feliz por sentir essas dores, cada vez mais fortes. Elas indicam que tudo está como a sociedade quer que esteja. Mas eu não queria. Não queria ver essa mancha vermelha pelos próximos nove meses. Eu não queria voltar a sentir essa dor antes disso. Queria outras dores, novas dores. Dores que me acompanhassem por toda a minha vida a partir de hoje.
Do ato de por vida na Terra e alimentá-lo. A dor de vê-lo sofrer sua primeira gripe, os primeiros dentes, seu primeiro tombo. Das brigas com os coleguinhas. A dor das más respostas, o pagamento de tudo que eu disse para a minha mãe.
Preciso ir ao banheiro... Acho que novamente, não foi dessa vez...

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