terça-feira, 28 de setembro de 2010

Dos desaforos levados pra casa

Eu sei, você não vai me ligar
Um pedido de desculpa seu é impossível
Mas é tão necessário, indispensável
Eu é que tenho que me acostumar
A engolir as lágrimas e suportar a dor
Esquecer a mágoa, esquecer...
Seguir em frente sem ouvir sua voz repetir
Os desaforos que eu nunca esperei ouvir
Mas ouvi. E ao ouvir, calei.
E quando falei que te amava, era tarde.
Você havia desligado. Indiferente.
Agora estou aqui, a voz entrecortada.
O coração dilacerado bate lentamente.
Bombeia um sangue envenenado pelo rancor
E pensar que dez minutos antes
Eu olhava uma foto tua e repetia pra mim mesma
O quanto eu te amo, o quanto eu preciso de você...
"Fixação! Seus olhos num retrato..."
Há somente um abismo entre nós
Você, via sentar e esperar a montanha andar
Eu, vou saltar pra encontrar você em algum lugar...
...mas eu só aceito você verdadeiro.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Delírios

Se perguntarem por mim digam que eu morri.
Se duvidarem ser verdade digam que é nisso que eu acredito.
Já vivi o suficiente pra saber como me sinto, pra onde o barco vai e como as coisas terminam quando entram num dado caminho.
Eu sei o suficiente pra crer que isso é o bastante.
Quando você fala e ninguém te ouve é porque não há mais nada.
Quando você chora sozinha, quando não há mais vozes ecoando, risadas.
E tudo se torna uma questão de protocolo. Estaremos juntos, eu sei.
Mas o que nos une? Já não se sabe... Ninguém o sabe.
Tampouco eu e você, outrora nós.
Eu perdi o sono de vez e só o encontrarei na hora de acordar.
Sem motivos para tanto, sei que irei fazê-lo.
Afinal, a máquina não pode parar, jamais.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Um crime!?

Afinal, quem sou eu?
Um emaranhado de perguntas sem respostas
Um clichê a mais ou a menos solto ao vento.
A mentira que você quis contar, eu contei.
A mentira que você quer ouvir, sou eu mesma.
Uma farsa deliciosamente implicante.
Um vício irritantemente repugnante.
De que lado você está?
Do meu ou dos outros?
Eu sou sua farsa descarada e desmedida.
Eu vou atormentar a sua vida até você pedir pra descer.
Nas ruas você passa por uma menina estranha.
Sensualmente antissocial e antipática.
Sou eu usando uma das minhas máscaras.
Aqueles cabelos cacheados ao vento são meus.
O perfume marcante, a voz rouca e grave.
Tudo isso me pertence e eu uso bem.
Pra te envolver em mil enredos nos quais eu me perco.
E me encontro perdida até que alguém surja e...
...faça eu me sentir ainda mais perdida.
Eu não vou pedir desculpas mais de uma vez.
E se eu pedir, pode ter certeza, faz parte do meu show.
Preciso convencer o mundo a ter pena de mim.
E eu não serei mais a principal suspeita do seu assassinato.
Apenas mais uma viúva.

"Como você poderia me dizer que eu estava errada?
Foi um assassinato, mas não um crime!"
(Cell Block Tango - Chicago)